Volume
Rádio Offline
Sete bilhões de poluidores passageiros
12/08/2019 11:25 em Colunistas

Sete bilhões de poluidores passageiros

A Demografia estuda, entre outras coisas, o tamanho e a distribuição da população. Apesar de atraente, essa área da ciência só chama a nossa atenção de tempos em tempos, como em 2011, com o anúncio do Fundo da População das Nações Unidas de que nosso planeta chegava aos sete bilhões de habitantes.

Por ironia, esse desinteresse se deve, em grande parte, a um estudioso do assunto. Ao não se confirmarem as previsões catastróficas de Malthus, de que a superpopulação levaria a guerras em busca de alimento, ele caiu em descrédito. A carnificina na Europa, provocada logo em seguida por Napoleão, atribuiu uma credibilidade inicial aos seus argumentos. No entanto, mesmo com as terríveis duas guerras mundiais do século XX, o tempo e a ciência se encarregariam de desmenti-lo.

É um perigo o debate demográfico permanecer totalmente fora das pautas, lembrado somente quando cifras expressivas, como a de 2011, são anunciadas.

O crescimento populacional tem duas pontas. Em uma delas estão os bebês embarcados em algum ponto do planeta. Eles podem ser festejados tanto por alguma família do nosso bairro quanto por outra da superpovoada Ásia ou, ainda, da faminta África, onde as populações aumentam a taxas alarmantes.

Seja de onde forem, apenas para atender às suas necessidades básicas, todos os novos passageiros consumirão energia. E só existe uma fonte para obtê-la: o nosso planeta. Eis o pecado original dos humanos: somos todos dependentes de energia, portanto, poluidores em essência, na expressiva quantidade de mais de sete bilhões.

Na outra ponta encontram-se os que já embarcaram há muito tempo. Graças aos avanços da medicina, eles são cada vez mais numerosos e não pretendem (não pretendemos, pois me incluo nesse grupo) chegar tão cedo ao ponto final. Passageiros de primeira ou de última classe, todos (quase todos) optam por continuar embarcados neste corpo celeste chamado Terra.

Entre essas duas pontas, os recém-chegados e os calejados, estão aqueles que devem se preocupar com a solução do problema: cientistas, ecologistas, pensadores, filósofos, sambistas, formadores de opinião e artistas. Sua missão: propiciar uma vida feliz aos milhões de humanos que nascem a cada ano e fazer com que a hora do desembarque, de todos, demore a chegar.

Achou difícil? Pois acrescento outro desafio: sem exigir ainda mais energia do nosso já cansado planeta.

Por isso, a demografia não pode ser menosprezada. Ela sinaliza que logo chegaremos aos assustadores oito bilhões. Até lá, muitos de nós já terão desembarcado. Mas nossos netos continuarão a viagem. Em nome deles, pedimos: não ignorem a questão populacional. Será suicídio ou, no mínimo, uma tolice.

Hamilton Bonat

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
SHR