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Vão estocar vento, caras-pálidas!
30/07/2019 20:54 em Colunistas

Vão estocar vento, caras-pálidas!

A ingerência externa no Brasil é histórica. No princípio, foi o português colonizador, que abriu a porta de suas prisões e mandou para cá o que havia de pior.

Após a independência, os ingleses influenciaram nossa economia e nossa política. D. João VI, espertamente, nos deixou seu filho como imperador e nos repassou a enorme dívida de Portugal com a Inglaterra, que o havia protegido de Napoleão.

Mais tarde, foram os franceses, com o positivismo de Augusto Comte e outros filósofos, cujo pensamento ficaria gravado, inclusive, no dístico “Ordem e Progresso” da nossa bandeira.

Na década de 1930, o fascismo e o nazismo eram simpáticos ao Presidente Vargas, que demoraria a se decidir de que lado ficaríamos durante a II Guerra Mundial.

Durante e logo após a grande guerra, foi marcante a presença norte-americana. Pouco mais tarde, durante a guerra fria, americanos e soviéticos disputaram a preferência dos brasileiros, com sérios reflexos que perduram até hoje, pois, ao que parece, no Brasil, a guerra fria ainda não acabou.

Atualmente, os países centrais utilizam-se do artifício denominado Organizações Não Governamentais para impor a sua vontade e limitar o nosso crescimento. Parece fundamental um olhar desconfiado sobre as intenções das ONGs estrangeiras.

Atuam na Amazônia centenas delas. Segundo elas mesmas, estão lá para proteger alguns poucos milhares de indígenas, que não passam sede nem fome. Enquanto isso, milhões de irmãos nordestinos lutam contra a seca e a desnutrição, sem contar com a atenção de nenhuma ONG. Sua atuação foi muito clara no sentido de retardar ou, até, impedir a construção da hidrelétrica de Belo Monte.

Graças à sua pressão, metade de Roraima foi transformada em reserva indígena. Lá, na década de 1970, missionários(?) estrangeiros criaram o Conselho Indígena de Roraima (CIR). Hoje, segundo o site do próprio CIR, ele conta com a parceria de duas ONGs inglesas, três norte-americanas, duas norueguesas, uma canadense, uma italiana, duas alemãs, uma anglo-americana e, até, uma do Vaticano.

Acontece que a área da reserva indígena Raposa Serra do Sol faz parte das terras reclamadas pela Inglaterra desde meados do século 19. Essas terras contestadas pela Inglaterra eram de 54.687 km2. Em 1891, reduzido para 25.187 km2, sendo que o Brasil renunciou a 15.087 km2, ao aceitar o laudo do rei Vittorio Emanuele I, da Itália, em 1904, escolhido pelas partes conflitantes como árbitro da contenda.

Portanto, não foi mera coincidência a visita do Príncipe Charles exatamente na semana em que o STF decidiria sobre a demarcação contínua da Reserva Raposa Serra do Sol.

Como resultado, todos sabemos, prevaleceu o interesse da oligarquia britânica sobre uma riquíssima reserva mineral de cerca de 10 milhões de hectares, por força de Decreto Presidencial, assinado em novembro de 1991 por Fernando Collor de Mello.

Então, será que nossos quase 200 anos de independência representam, realmente, 200 anos de soberania? Como soberania é entendida como a capacidade de um país tomar suas próprias decisões sem interferência externa, a resposta parece ser “não”. Até hoje, não conseguimos comandar nosso próprio destino.

É triste constatar que, no Brasil, até as boas notícias são transformadas em problema. O caso da agroindústria é emblemático. Graças à competência dos quadros da Embrapa, nos tornamos a maior potência mundial no setor. Além de abastecer o mercado interno com uma enorme variedade de produtos de qualidade a preço acessível, competimos vantajosamente com os demais países, particularmente com os Estados Unidos. Pois não tenhamos dúvida de que fazendeiros norte-americanos patrocinam algumas das ONGs que atuam por aqui. Assim, a nossa agroindústria, de heroína, passa a ser vilã, quem sabe, até, responsável pelo aquecimento global.

Se me permite, caro leitor, vou pegar emprestado uma expressão da nossa ex-Presidente para mostrar a minha indignação: “Querem saber de uma coisa, vão estocar vento, seus caras-pálidas!”

Hamilton Bonat

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