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O cavalo de Napoleão
29/05/2019 11:03 em Colunistas

O cavalo de Napoleão

Napoleão e seu cavalo participaram, juntos, de inúmeras batalhas. Napoleão retornou a Paris e tornou-se Imperador. Seu cavalo, porém, continuou cavalo.

Isso nos mostra que as experiências de vida não são tão determinantes assim. Quem nasceu cavalo, morrerá cavalo.

Ora, se um cavalo não consegue aprender com a própria experiência, quem dirá com as experiências alheias.

Exemplo gritante nos dão os comunistas. Se autoproclamam progressistas, embora defendam pensamentos contidos em O Capital, um conjunto de livros, velhos de mais 250 anos. É necessário frisar que seu autor – Karl Marx – nunca foi muito chegado ao trabalho. Casou-se com uma burguesa, que o sustentou a vida toda.

Mais do que isso, as ultrapassadas soluções que prega não deram certo em lugar algum. O caso mais emblemático foi o da União Soviética, que desmoronou sobre si mesma, levando com ela a ilha de Cuba, a quem dava sustentação. Tudo isso após 70 anos de opressivas ditaduras, com milhões de mortes.

O modelo mais recente é o venezuelano. Um dos países mais ricos da América Latina, a Venezuela teve sua economia arrasada e, além de inúmeros cidadãos mortos, viu quase 3,5 milhões deles (seriam todos burgueses?) fugirem do país. Só o Brasil acolheu cerca de 100 mil de refugiados.

Antes que alguém cite a China como exemplo bem sucedido de comunismo, lembro que ela só evoluiu após Mao Tsé Tung, que, com a sua Revolução Cultural, assassinou milhares de pensadores e professores. Deng Xiaoping teve que esperar que ele morresse para, só então, promover as reformas necessárias ao desenvolvimento chinês. Diga-se, de passagem, que, nos dias de hoje, a China pratica um capitalismo dos mais selvagens.

Portanto, é de admirar que em nossas universidades públicas, desde as reitorias até os corpos docentes, pregue-se abertamente um regime com um histórico desses. Mais ainda, que não se admita qualquer ideia contrária.

Sentem-se, assim, os alunos, reféns, impedidos de expressar-se. Muitos deles, por temor, sentiram-se obrigados a participar dos protestos contra o contingenciamento dos recursos para o ministério da Educação, que atingiram, também, os demais ministérios.

A questão que se impõe é por que será que, quando os governos anteriores, responsáveis pela atual crise econômica do país, cortaram recursos muito maiores, nenhum reitor protestou?

Claro que nossos professores nunca passaram pela triste experiência de viver em um país comunista. Se o tivessem, provavelmente não se comportariam como o cavalo de Napoleão. Mesmo assim, bem que poderiam aprender com as experiências alheias. Mas tem algo que os impede…

Hamilton Bonat

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