QUANDO FOI QUE PERDEMOS A DIGNIDADE?

Quando foi que perdemos a dignidade?

1

Hamilton Bonat (*)

Quando fui publicar o meu segundo livro, pedi ao eminente jornalista Rafael de Lala que fizesse a fineza de prefaciá-lo.
Além de enriquecer aquela minha segunda obra, ele brindou-me e aos meus leitores com o texto que reproduzo abaixo e que relata como o nosso País já contou com dirigentes e políticos honestos, compromissados com o Brasil e com o seu povo.
Lamentavelmente, o fato narrado aconteceu há quase 200 anos, período suficiente para que, aos poucos, os bons exemplos fossem esquecidos e verdadeiras quadrilhas tomassem conta do poder.
A mentira virou norma. Perderam a vergonha e o medo, pois, ao que parece, fizeram leis que os protege e lhes assegura sairem impunes dos processos nos quais, sabidamente, são culpados.
Veja que belo exemplo nos deixaram os Irmãos Andrada.

“Lá um dia, ao receber seu vencimento e colocá-lo debaixo
da cartola, José Bonifácio saiu à rua.
Por onde passava, ia retribuindo a saudação das pessoas.
Quando se deu conta, de tanto tirar e repor a cartola,
o dinheiro havia sumido.
Ao retornar ao palácio, contou a D. Pedro o sucedido.
O Imperador chamou Martim Francisco e mandou
que este sacasse do Tesouro outro pagamento
para o irmão descuidado.
O Ministro da Fazenda recusou, dizendo: ‘Nada disso,
o senhor José Bonifácio só vence um ordenado por mês,
como qualquer outro funcionário.
Por isso, peço a Vossa Alteza para repartir com ele meu subsídio, mas não posso pagar-lhe duas vezes’.”

(*) General da Reserva, membro da Academia de Letras José de Alencar