URUGUAIANA: DESEMPREGADA, MAS CAMPEÃ.

Uruguaiana: desempregada, mas campeã.

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Hamilton Bonat (*)

Quem foi Rowan? Talvez poucos saibam ou se lembrem. Pode ser que “Uma Mensagem a Garcia” reavive a memória dos mais velhos. Foi esse o título da matéria do jornalista Elbert Hubbard para a revista “Philistine”. Escrita em 1889, sem muitas pretensões, alcançou tanto sucesso que se multiplicou em milhões de cópias, nos mais diferentes idiomas. Em síntese, Rowan, tendo recebido a missão quase impossível de entregar uma mensagem ao chefe dos insurretos cubanos, o General Garcia, deu conta do recado, após ter atravessado a pé um país totalmente hostil. A partir daí, ele é tido como padrão para todos os mensageiros e, também, um exemplo para outros profissionais.

Desde as mais priscas eras, o homem tem sido o mensageiro mais confiável. Entretanto, quando a rapidez era necessária, o pombo o substituía. Com o tempo, os pombos-correios, apesar de sua capacidade de voltar para casa, mesmo a muitos quilômetros de distância, tornaram-se vítimas do “desemprego funcional”: acabaram substituídos pela máquina. Consta que, até recentemente, o exército russo mantinha uma “divisão” de pombos-correios. Na Inglaterra, há cerca de dez anos, um hospital os usava para levar amostras ao seu laboratório, por serem rápidos e não precisarem enfrentar o trânsito. E só…

Impossível resistir ao avanço tecnológico. O telégrafo, o rádio, o telefone, o fac-símile, a internet e, obviamente, os meios de transporte – navio, trem, automóvel e avião – seriam capazes de levar mensagens e cargas cada vez mais longe e com maior velocidade. Ao pombo-correio restou o consolo de ficar lembrado na voz de Moraes Moreira: “Pombo correio voa depressa/E esta carta leva para o meu amor…” Sua última esperança, remotíssima, de voltar ao batente, será no dia em que todos os demais meios deixarem de funcionar.

Porém, o mais importante dos mensageiros, o humano, continua em atividade. Existem mensagens e cargas que os meios eletrônicos (ainda) não conseguem enviar. Os carteiros representam a face mais emblemática do homem-mensageiro. E, apesar de menos relevantes, os correios continuam a desempenhar importante papel.

Mas não é que os pombos-correios ainda têm alguma chance? Pelo menos é o que pensam os columbófilos (criadores de pombos). Descontando-se o seu amor às aves, pode ser que tenham razão. Vejam só o que alguém postou recentemente no facebook: “O que está acontecendo com os correios? Há alguns dias, apresentei-lhes uma reclamação pela demora: levaram cerca de duas semanas para entregar uma simples carta postada em Ribeirão Preto e destinada a Batatais, ambas no Estado de São Paulo e distantes cerca de 30 Km, ligadas por excelente estrada asfaltada de pista dupla. Ontem recebi sua resposta. Incrível! Reconheceram explicitamente sua incompetência. Fizeram-me duas sugestões. Primeira: que eu postasse a carta quinze dias antes. Ou seja, confessaram que é este o prazo que leva uma correspondência para percorrer 30 Km, na incrível velocidade de 2 Km/dia! Segunda: que eu utilizasse outros meios, como internet, fax, etc… Sugeriram que eu não utilize seus serviços. Que pena! Os correios já nos encheram de orgulho. Por que cairam tanto? “

Pois que se cuidem os correios! Os pombos continuam por aí, exercitando-se. Segundo a Federação Nacional de Columbofilia, somente em Minas Gerais, são distribuídas mais de cem mil anilhas por ano (elas representam o número de pombos nascidos).

E tem mais! Em 2012, a Federação Catarinense de Columbofilia bateu novo recorde. Em uma competição, as aves viajaram 871 quilômetros, a uma velocidade de aproximadamente 70 quilômetros por hora.

Os 91 pombos-atletas partiram de Uruguaiana ao amanhecer de 18 de novembro. Antes das 19 horas, a pomba campeã já estava em casa, na Ilha Encantada. Como prêmio, batizaram-na de “Uruguaiana”. Tão orgulhosa ela ficou, que o seu peito, naturalmente já estufado, quase explodiu!